POR QUE IR AO GERIATRA MAIS CEDO?




O objetivo dos geriatras é proporcionar melhor qualidade de vida possível a todos aqueles

pacientes que já passaram dos 60, 80 ou 90 anos.

Para muitos, envelhecer continua sendo sinônimo de um processo degenerativo que termina emconfusão mental, perda de memória e solidão. Mas não precisa ser assim. A terceira idade pode ser uma etapa cheia de realizações, novos aprendizados, e deve ser vivida com saúde e autonomia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nos países ricos, o aniversário de 65 anos marca o início dessa nova fase da vida; nos em desenvolvimento ela começa aos 60 anos. Apesar desses parâmetros cronológicos, tornar-se centenário já não é mais novidade. Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2010, existiam 23.760 brasileiros com mais de 100 anos.

Para os geriatras, especialistas que cuidam de idosos, “o objetivo maior da geriatria não é esticar o tempo, mas proporcionar a melhor qualidade de vida possível a todos aqueles que já passaram dos 60, 80 ou 90 anos”, afirma a médica Silvia Regina Mendes Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG – RJ). Na opinião do geriatra Marcelo Valente, professor de geriatria da Faculdade de Medicina do ABC (FUABC – SP), para atingir essa meta, é preciso que o idoso se mantenhaindependente. “Tenho pacientes com mais de 84 anos que continuam cuidando de si mesmos e dirigindo seus carros sem o menor problema.” A VivaSaúde convidou os dois médicos para falar sobre quais são as melhores estratégias para suavizar os efeitos do envelhecimento. Confira abaixo a entrevista exclusiva:

VivaSaúde – Quais são os primeiros sinais que o organismo apresenta nesse processo?

Silvia Regina – A partir dos 25 anos o organismo começa a apresentar modificações biológicas,morfológicas, orgânicas, sociais e psíquicas que vão acontecer até o final da vida. Isso é envelhecer. Um dos primeiros sinais do é a diminuição da camada de gordura abaixo da pele que fica mais flácida. Por outro lado, há um progressivo aumento de depósito de gordura abaixo da cintura: fica mais difícil manter abarriga lisa.

Marcelo Valente – Até os 30 anos, as funções orgânicas apresentam um pico máximo de rendimento. A partir daí, começam a declinar por causa do envelhecimento dos bilhões de células que compõem os tecidos e sistemas orgânicos.

VivaSaúde – Os órgãos internos também sofrem transformações?

Silvia Regina – Sim. O organismo está sempre se renovando, substituindo células mortas por outras novas. Com o envelhecimento, porém, a capacidade de renovação diminui. Nos rins, metade dos néfrons (células especializadas em filtrar o sangue) desaparece entre os 30 e 70 anos. Por isso, depois dos 40 anos, a cada década, o rim perde de 9% a 10% de sua capacidade de filtrar o sangue e eliminar as toxinas pela urina.

Valente – Acontece o mesmo com todos os tecidos e sistemas. De uma maneira geral, calcula-se que cada órgão perca 1% de sua função por ano, após os 30 anos. Com o passar do tempo, essa perda é mais acentuada, pois diminui a capacidade de reposição celular. Dos 30 anos aos 50 anos, perdemos 5% demassa muscular. Já dos 50 aos 80 anos, a perda de músculos chega a 30%. As perdas podem ser maiores ou menores de acordo com dois fatores: genética e hábitos de vida de cada um.

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VivaSaúde – Existem maneiras de amenizar as dificuldades que surgem com a passagem do tempo?

Silvia Regina – Sim. Um estilo de vida de qualidade desde os 20, 30 anos faz diferença para quem quer chegar aos 80 anos em excelentes condições físicas e mentais. Para isso, é fundamental manter corpo e mente ativos. Daí a importância da prática regular de exercícios compatíveis com cada faixa etária. Esse hábito previne e controle da hipertensão, diabetes, colesterol alto e atédepressão, doenças que costumam aparecer depois dos 40. Essa prática também diminui as perdas muscular e óssea, melhora oequilíbrio, a coordenação motora e ajuda no controle do peso. Além disso, ter um objetivo, interesse pela vida e sentir-se útil de alguma forma, é prioritário para envelhecer bem. Ter amigos com os mesmos interesses é outra boa estratégia: a sensação de inutilidade e a solidão são péssimas companhias.

Valente – Além desses conselhos, acrescento que é preciso aprender a adequar os hábitos alimentarescom as necessidades de cada idade (ganhos e perdas). Isso auxilia no bom funcionamento orgânico. Océrebro também precisa ser desafiado todos os dias. Por isso, aprender coisas novas, ou conhecer uma nova língua são excelentes exercícios para manter os neurônios funcionando. A memória pode falhar aqui e ali, mas nada se compara aos danos causados pela inatividade cerebral depois da fase da aposentadoria.

VivaSaúde – Qual é a melhor idade para procurar um geriatra?

Silvia Regina – O paciente clássico do geriatra é aquele que já apresenta alguma perda de memória. Aprevenção deve começar na pediatria. Na idade adulta, o ideal é ser acompanhado por um bom clínicoque veja nele um ser total e não apenas um órgão. Um paciente bem cuidado só vai precisar de um geriatra (se precisar) depois dos 80.

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