Pobreza entre idosos é menor do que entre não-idosos, diz Ipea


Estudo diz que seguridade social tem papel grande na redução da pobreza.Aposentadoria precoce, porém, impacta cofres da Previdência.
A pobreza entre idosos é menor do que a entre não-idosos, de acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada nesta quinta-feira (21). A proporção de idosos pobres foi de 4,8% em 2011, enquanto a de não-idosos chegou a 16,7%. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), 85% da população maior de 65 anos recebia algum benefício da seguridade social em 2011.
De acordo com Ana Amélia Camarano, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, o sistema de seguridade social brasileiro tem papel importante na redução da pobreza entre os idosos e suas famílias.
Ana Amélia Camarano, técnica do Ipea (Foto: Lilian Quaino/G1)Ana Amélia Camarano, técnica do Ipea
(Foto: Lilian Quaino/G1)

Ana Amélia é autora da nota técnica “Envelhecimento populacional, perda de capacidade laborativa e políticas públicas” junto com as pesquisadoras Solange Kanso e Daniele Fernandes.
Ela diz que o estado brasileiro avançou muito na garantia de uma renda mínima para a população que não trabalha, mas o sistema de seguridade social acabou criando contradições.
Trabalhadores estão se aposentando cada vez mais cedo, enquanto a expectativa de vida vem aumentando. Além disso, vem aumentando o número de aposentados. A situação tende a impactar seriamente os cofres da Previdência, prevê.
“Em 20 anos vai haver o ‘elderly boom’, um grande número de idosos, contando com a corte nascida nos anos 50 e 60, anos do baby boom. Essa geração se beneficiou da redução da mortalidade infantil e da redução da mortalidade materna, e ganhou mais expectativa de vida”.
Office-idoso
Para ela, essa situação vai impactar ainda o mercado de trabalho.“Hoje já temos o ‘office-idoso’. O empresário contrata idosos para serviços de contínuo aproveitando o fato de os idosos terem transporte gratuito e preferência nas filas, e nem sempre assinam a carteira. Na verdade, estão reduzindo custos. Sem falar que ser Office-boy era a porta de entrada do jovem para o trabalho”, disse.
Segundo Ana Amélia, segundo dados de 2010, a idade média dos homens que se aposentaram por tempo de contribuição foi de 55 anos. E depois da aposentadoria, eles continuaram a trabalhar por sete anos em média. As mulheres também se aposentaram mais cedo, com 52 anos em média, e continuaram a trabalhar por mais cinco anos. Depois de aposentados, homens vivem em média mais 25 anos e mulheres 31 anos, período em que a Previdência repõe as perdas de quem não tem trabalha mais.
Mas Ana Amélia ressalta que a aposentadoria seria para repor as perdas de quem perdeu a capacidade laborativa, o que é uma contradição uma vez que aposentados seguem trabalhando, provando que ainda têm capacidade de trabalho. Segundo disse, o Brasil é um dos poucos países em que o aposentado volta a trabalhar sem restrições.
Para ela, seria necessário estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria, que “não pode ser na canetada”, mas sim junto com uma política de saúde ocupacional, de capacitação para os mais velhos acompanharem as mudanças tecnológicas, e a redução do preconceito contra a força de trabalho idosa


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