Em um século, latino-americanos ganharam 45 anos de expectativa de vida


Idosa atravessa uma rua do Rio de Janeiro. Foto: AFP/Antonio Scorza Um habitante da América Latina tinha uma expectativa de vida de 29 anos em 1900, e, 110 anos depois, esta passou para 74 anos, segundo um relatório especial publicado nesta terça-feira pela Organização Pan-americana de Saúde (OPS), a mais antiga do planeta.
A OPS completa 110 anos em 2012 e esta semana celebra a data em uma assembleia ministerial em sua sede em Washington.
As diferenças entre o norte e o sul do continente estão se reduzindo, constata a OPS, mas o mais preocupante são as diferenças que persistem entre países vizinhos da América Latina, apesar de índices de desenvolvimento muito mais parecidos que entre os Estados Unidos e o resto da região.
Um chileno tem uma expectativa de vida de 79,2 anos, enquanto que a de um boliviano é de 66,8 anos.
"Estas diferenças também acontecem no interior do país", enfatiza o relatório Saúde nas Américas.
A imigração, a urbanização e o envelhecimento da população marcaram a passagem do século na região. Na América do Norte, 82% da população vive em cidades, na América Latina e Caribe são 79%. São as taxas de urbanização mais elevadas do mundo.
E outro fenômeno está aproximando pouco a pouco as duas metades, norte e sul do continente: o envelhecimento da população.
No continente norte-americano viviam há dois anos 940 milhões de pessoas (194 milhões em 1900), das quais pouco mais de 100 milhões tinham mais de 60 anos. "Para 2020, espera-se que essa cifra se duplique", explica o texto.
Sessenta e nove por cento de quem nasce na América do Norte viverá mais de 80 anos; no restante do continente, serão 50%, um fenômeno sem precedentes, como está acontecendo no resto do planeta.
"Pela primeira vez na História da Humanidade, quatro gerações convivem ao mesmo tempo", ressaltou Mirta Roses, a diretora da OPS.
A América Latina e o Caribe também se aproximaram do Canadá e dos Estados Unidos nas taxas de mortalidade infantil, com o resultado de que, em 2010, 98% dos recém-nascidos chegam a completar um ano de idade. Há cem anos, apenas 75% conseguiam isso.
No capítulo de enfermidades, as doenças crônicas não-transmissíveis ganharam o terreno que perdido pelas grandes epidemias do passado.
Fenômenos como a cólera ou a malária desapareceram praticamente da região, mas, em compensação, 250 milhões de pessoas padecem atualmente de doenças como o câncer, diabetes e obesidade. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na grande maioria dos países americanos.
Em 2007, 3,9 milhões de pessoas morreram por essas causas, 37% menores de 70 anos.
Nos Estados Unidos, as enfermidades crônicas representam 75% dos gastos com saúde.
Os acidentes de trânsito e a violência são as principais causas de morte entre as pessoas de 15 a 44 anos, especialmente homens. A região registra pouco mais de 600.000 homicídios por ano, e os homens têm dez vezes mais chances de morrer por essa causa do que as mulheres.
Entre 2005 e 2010, a América Latina e o Caribe aumentaram seus gastos com a saúde, de 6,8% para 7,3% do Produto Interno Bruto. Com esse percentual, a região se aproxima dos 8,5% em média da Europa (dados de 2010), mas está longe dos 9,7% no Canadá e 14,6% nos Estados Unidos.
Até o momento, 274 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe (46%) não contam com seguro de saúde, sendo 120 milhões de habitantes que não têm acesso aos serviços de saúde por razões econômicas e 107 milhões, por razões geográficas.

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