Foi a segunda audiência, de um ciclo de seis, que acontecem por todo estado, destinadas a debater maneiras de proporcionar a população um envelhecimento digno. O fórum parlamentar tem por pretensão, diante dos problemas apresentados no estado ao longo das reuniões, buscar alternativas nas três esferas de governo para suprir as carências apresentadas.
Ao concordar que a questão orçamentária impossibilita um atendimento propício e digno ao idoso, o promotor da comarca de Xanxerê, Eduardo Sens, destacou que até mesmo os direitos previstos no Estatuto do Idoso não vêm sendo aplicados. Segundo ele, o município enfrenta sérios problemas com o transporte urbano. “Mesmo garantido por lei aos idosos com 60 anos circularem no transporte urbano e 65 anos para viajarem em transportes interestaduais, os idosos não vêm sendo respeitados pelas empresas de ônibus”, pontuou.
Já o secretário de Desenvolvimento Social de Xanxerê, Dionisio Kohl, salienta que a questão orçamentária não se restringe apenas ao município, mas se trata de uma questão regional que afeta as 14 cidades que pertencem à Associação dos Municípios do Alto Irani (Amai). De acordo com o secretário, isso ocorre porque as secretárias municipais de assistência social não possuem orçamento próprio e trabalham apenas com recursos de verbas de gabinete da administração e de outras secretarias. “Precisamos instituir em lei um percentual que seja destinado especificamente para a Secretaria de Assistência Social ou a Secretaria da Terceira Idade será possível executar um atendimento de melhor qualidade a todos os idosos”, frisou.
A vontade de manifestar publicamente os anseios da população idosa de Xanxerê, na busca por qualidade de vida e bem-estar, fez com que a presidente do Centro de Convivência Conviver, Elvira Caramori Rebelato, se apresentasse em nome dos 700 idosos inscritos na instituição e aqueles presentes na audiência.
“Se existisse uma verba destinada exclusivamente para a assistência social poderíamos realizar o sonho de ter um Centro do Idoso, a Faculdade da Maturidade, uma academia para cuidar melhor da saúde, além de um ônibus que estivesse disponível para o idoso. Assim poderíamos disfrutar mais do lazer, sendo que a maioria do idoso é assalariado e não tem condições de arcar com algumas despesas”, lembrou.
O ciclo de audiências sobre o envelhecimento digno começou em Caçador, no Meio-Oeste, em maio. Os próximos encontros acontecerão no dia 17 de junho, em Araranguá; 24 de junho, em Joinville; 27 de junho, em Blumenau, finalizando os trabalhos em 16 de setembro, em Florianópolis.
Envelhecimento
O Brasil é considerado, ainda, um país de jovens. Mas esta realidade mudará drasticamente nos próximos anos. Isso se deve ao aumento da expectativa de vida dos idosos brasileiros. Hoje a população brasileira vive em média 68,6 anos, 25 anos a mais do que no início da década de 90. A estimativa é que em 2020 a população brasileira com mais de 60 anos deva chegar a 30 milhões. A expectativa de vida em 2050 poderá chegar a 81 anos.
Em Santa Catarina, hoje o total de idosos é 656.913. Esse número cresce a cada dia, gerando a necessidade de o estado estar preparado apara atender aos idosos que serão mais ativos, participativos e exigirão políticas que garantam à eles uma melhor qualidade de vida.
Diante dessa realidade o Fórum realiza no dia 16 de setembro desse ano o Fórum Nacional para discutir o envelhecimento em Santa Catarina, momento esse em que o relatório das audiências será entregue ao governador para assim a partir desses dados construir políticas públicas que de fato atendam as necessidades da população idosa. Em 2014 será realizado em Florianópolis com parceria já estabelecida com a federação internacional do envelhecimento no mundo o primeiro congresso internacional sobre envelhecimento e que contará com a participação de mais de 60 países.
Segundo Dirce, a iniciativa objetiva a troca de experiências, a construção de novas políticas de atendimento a pessoa idosa seja na saúde, educação, assistência social, e assim preparar nosso país e estado para essa nova realidade, o envelhecer com qualidade de vida e participativo.
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