Especialistas afirmam que o governo não dará conta de suprir todas as necessidades, visto as projeções de gastos públicos com saúde até 2030.Em 18 anos, o número de pessoas no Brasil com 59 anos ou mais vai dobrar em relação a hoje (de 21,5 milhões para 42,9 milhões), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Este envelhecimento da população, o chamado bônus demográfico, será um desafio para o setor público, mas também uma oportunidade de crescimento, consolidação e aperfeiçoamento do segmento de saúde suplementar do País.
Especialistas afirmam que o governo não dará conta de suprir todas as necessidades, visto as projeções de gastos públicos com saúde até 2030, o que terá impacto positivo e significativo neste mercado.
Atualmente, existem 1.607 operadores de planos de saúde, que atendem aproximadamente 25% da população e registraram receita de R$ 83 bilhões em 2011 (+11,7% em relação ao ano anterior). Já no segmento de planos odontológicos, são 400 players, com penetração de 9% e que obtiveram receita de pouco mais de R$ 2 bilhões no ano passado.
Do total de empresas, cerca de 70% têm até 20 mil beneficiários, segundo o superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro. Ou seja, pequenas empresas pulverizadas por todo o País, especialmente no interior dos Estados, são maioria no setor, o que sinaliza uma tendência de consolidação.
“Um movimento forte de fusões e aquisições pode ser saudável para formar empresas maiores e mais sólidas”, diz o executivo.
Ele lembra que a Agência Nacional de Saúde (ANS) esperava que esse movimento de consolidação acontecesse entre 2000 e 2010, mas não foi o que ocorreu. “O número contabilizado hoje é quase igual ao registrado em 2000”, diz.
Mais transparência
Neste sentido, o diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), José Cechin, também concorda que estes movimentos dão mais garantia, solidez, transparência e confiabilidade para o mercado.
Por outro lado, segundo Carneiro, muitas das pequenas empresas atendem um nicho no qual as grandes companhias nem têm interesse em entrar, o que demonstra que não necessariamente todas as empresas de pequeno porte serão “engolidas” futuramente.
O diretor-adjunto de Normas e Habilitação de Operadoras da ANS, Leandro Fonseca, diz que a baixa rentabilidade que outros países estão proporcionando no setor torna o Brasil cada vez mais atrativo.
Isso acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a cobertura dos planos de saúde atinge 80% da população. “A venda da Amil, por exemplo, pode chamar a atenção de investidores para cá, o que é visto pela ANS com muito bons olhos. A entrada de estrangeiros também poderá desencadear um movimento mais intenso de consolidação, teremos de acompanhar”.
O fator mais positivo da venda da Amil, para Carneiro, do IESS, é que a UnitedHealth trará para o Brasil as melhores práticas da empresa, já aplicadas nos Estados Unidos, o que representará um upgrade significativo na qualidade dos serviços oferecidos no País.
“Isso significa que as outras operadoras vão querer acompanhar o ritmo para não ficar para trás, o que vai puxar o padrão de qualidade para cima”, avalia.
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